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Dia da MPB: 18 documentários para entender de onde vem o groove brasileiro

Canal Brasil faz 24 horas de documentários no Dia da MPB. Um DJ conta quais filmes valem como aula de pista, de Simonal a Refavela.

Por DJ Rodrigo Miranda· · 4 min de leitura
Dia da MPB: 18 documentários para entender de onde vem o groove brasileiro

Hoje, 17 de outubro, é o Dia Nacional da Música Popular Brasileira. A data foi criada por lei em 2012 e homenageia Chiquinha Gonzaga, nascida neste dia em 1847, a compositora que levou o choro e o maxixe para os salões e abriu caminho para tudo o que veio depois. Para comemorar, o Canal Brasil montou uma maratona de 24 horas com 18 documentários sobre os nomes que fizeram a nossa música, das 7h de sábado até as 6h35 de domingo.

Para quem toca, uma programação dessas é mais do que nostalgia. É aula. Muito do que funciona hoje numa pista de brasilidades, house ou disco nasceu nos discos que esses filmes contam.

O swing que veio antes do samba rock

O primeiro filme que eu recomendo para qualquer DJ é "Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei". Wilson Simonal misturava samba, soul e pilantragem com uma desenvoltura de palco que poucos tiveram, e antecipou muito do balanço que o samba rock e o funk soul brasileiro iam consolidar nos anos 70. É o tipo de som que, até hoje, coloca qualquer pista para dançar em casal.

Refavela: o Brasil olhando para a África

"Refavela 40" revisita o disco que Gilberto Gil lançou em 1977, depois de uma viagem à Nigéria. É um álbum de ponte: afrobeat, funk, ijexá e reggae conversando com a canção brasileira. Na pista, essas faixas encaixam com naturalidade entre um afro house e um disco, e explicam por que tanto produtor estrangeiro garimpa discos brasileiros dos anos 70.

Canção, harmonia e remix

Outros filmes da maratona mostram o lado mais melódico da nossa música: "A Música Segundo Tom Jobim", "Nada Será Como Antes - A Música do Clube da Esquina" e "Os Doces Bárbaros", com Caetano, Gil, Bethânia e Gal na mesma turnê. São harmonias que atravessaram o mundo e que hoje voltam remixadas em sets de house no Brasil e lá fora. Quando toco uma bossa reeditada com bumbo reto, é esse repertório que está por trás.

Samba de raiz e a força das vozes

A madrugada fica com o samba e com as grandes vozes: "Clara Estrela", sobre Clara Nunes; "Andança", sobre Beth Carvalho; e "Abre Alas: Elza Soares", que fecha a maratona. Elza é um caso à parte: passou pelo samba-jazz e, já no fim da carreira, mergulhou na eletrônica, provando que a MPB nunca teve medo de pista.

Ainda dá tempo

Se você está lendo hoje, ainda dá para pegar boa parte da programação no Canal Brasil:

  • 17h50 · Maria - Ninguém Sabe Quem Sou Eu (Maria Bethânia)
  • 19h30 · Os Doces Bárbaros
  • 21h15 · Nada Será Como Antes - A Música do Clube da Esquina
  • 22h30 · Vinicius
  • 0h30 · Refavela 40
  • 2h05 · Clara Estrela
  • 3h20 · Andança (Beth Carvalho)
  • 5h10 · Alceu Valença - Na Embolada do Tempo
  • 6h35 · Abre Alas: Elza Soares

O que fica para a pista

Desde 1999, a minha regra é simples: a música brasileira entra no set não como homenagem, mas como protagonista. Um Jorge Ben bem colocado, um Tim Maia na hora certa ou uma faixa do Clube da Esquina remixada mudam a energia de qualquer festa. Assistir a esses documentários é entender por quê. Feliz Dia da MPB.

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